terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Serviço de Terapia da Fala disponível!




Quem é o Terapeuta da Fala?

É o profissional responsável pelo desenvolvimento de atividades no âmbito da prevenção, avaliação e tratamento de perturbações relacionados com a comunicação humana, linguagem, fala e alimentação.

Intervém com.. Surdez, paralisia cerebral, multideficiência, alterações da voz, síndromes, gaguez, mastigação, deglutição, sequelas pós AVC, perturbações do Espectro do Autismo, doenças neurodegenerativas, dificuldades de aprendizagem, entre outros.

Para a marcação de consultas, contacte-nos!

Berçário & Creche “Tia São” Rua Conde Fijó n.º 15 4520-181 SANTA MARIA DA FEIRA (em frente à Junta de Freguesia)
Telefone: 256.374.106
E-mail: tiasao@sapo.pt
Website: http://crechetiasao.blogspot.pt/
FB: facebook.com/crechetiasao

SERVIÇOS DISPONÍVEIS:
BERÇÁRIO (3 aos 12 meses)
CRECHE (1 aos 3 anos)
LUDOTECA (desde o pré-escolar até ao 2.º ciclo)
APOIO ESCOLAR DIÁRIO - 1.º E 2.º CICLOS
EXPLICAÇÕES 3.º CICLO (Português, Inglês, Francês, Matemática, Ciências Naturais e Físico-Química)
INGLÊS (desde o pré-escolar até ao 3.º ciclo)
YOGA e ZUMBA (para toda a comunidade)

domingo, 12 de janeiro de 2014

Zumba® Fitness chega à Tia São

As aulas de Zumba® são uma forma de dança aeróbica festiva, divertida, eficaz, de inspiração latina, fácil de acompanhar, que queima calorias e que contagiou todo o universo! O Zumba® fortalece todo o corpo numa experiência que alivia o stress e produz energia. 
Não adie mais. Inscreva-se já! Estamos ao vosso dispor através dos contactos disponibilizados na nossa página.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Algumas das atividades realizadas durante o mês de dezembro - parte II





 O resultado da atividade realizada pelas famílias dos meninos da Creche, no âmbito do Dia Nacional do Pijama! Obrigada pais pela colaboração!



Os meninos da Creche a elaborarem as suas lembranças de Natal!





Este é o resultado final - postal e base para uma vela (em massa de farinha)!


Uma das mensagens de Natal presente no hall de entrada da instituição. Elaborada essencialmente pelos meninos da Ludoteca, mas também com a participação dos mais pequenos!

Educadora de Infância Zusana Diaz

Algumas das atividades realizadas durante o mês de dezembro - parte I






As pinturas elaboradas pelos meninos da sala sol, as quais foram enviadas pelo correio para os nossos amigos do Centro Social e Paroquial de Pardilhó! Espero que tenham gostado amigos!


Ouvimos histórias do "Elmer" e fizemos colagens, no âmbito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência!





Em conjunto com os pais (em casa) graúdos e miúdos decoraram a sua folhinha para colocar na árvore das escadas! Obrigada pais pela vossa preciosa colaboração!

Educadora de Infância Zusana Diaz

Educadora Infor+





Um Natal, muitos natais…

A data do nascimento de Jesus Cristo é assinalada pelas crianças católicas e protestantes, por todos os miúdos cristãos e até hindus. Cumprem os rituais de acordo com a sua religião, enfeitam as casas de luz e cor, trocam prendas e constroem memórias em família - tudo coisas importantes para a formação da personalidade. O Natal é uma festa.

A noite de 24 de dezembro é celebrada com rigor pelos cinco irmãos da família Monteiro. Em casa dos avós paternos, entoam-se cânticos de Natal em redor da mesa, acende-se uma vela a simbolizar a luz e a chegada de Jesus e faz-se uma leitura em família de um texto do evangelho. À meia-noite, há a Missa do Galo na igreja católica da paróquia de Nova Oeiras. E o serão só termina já madrugada dentro, depois do avô distribuir os presentes guardados atrás do sofá e das brincadeiras e fotografias do costume.

“Quem traz a vela que simboliza que antes havia as trevas e depois chegou Jesus é a avó Celeste”, explica Leonor, de nove anos e olhos azuis expressivos, que é quem acaba por reavivar, a pouco e pouco, a memória dos irmãos. Sara tem um ano de idade e o João também só tem quatro. É Mariana, de seis anos, quem recorda as prendas que traz o Natal e alguns pormenores da consoada. O último cântico antes do jantar... «esse, já somos nós que escolhemos!», diz, deixando para o irmão Pedro, de oito, a tarefa de descrever a missa na igreja. «No fim, vamos todos dar um beijinho ao Jesus», lembra ele.

Com a ajuda dos pais, Raquel e André Monteiro, as peças vão encaixando e as descrições acabam por bater certo. É fácil para os mais pequenos escorregar nalgumas memórias. As festas começam dia 23 de Dezembro em casa dos avós maternos, com tios e primos, e só terminam a 26, com uma visita às tias que vivem nas Caldas da Rainha. O tio Manuel veste um barrete de Pai Natal no primeiro serão, em casa da avó não há árvore, o avô Cohen tem uma cadela... As festas são todas diferentes. Além disso, para os irmãos, o Natal é também a antecipação, incluindo atividades como preparar os enfeites, árvore e o presépio.

Viver o Natal
Antecipar a chegada do Natal com atividades realizadas em conjunto e cumprir ou recriar tradições religiosas e familiares é muito importante para o crescimento dos mais novos. «Estes são momentos de partilha, de relação, de afeto, e são o que de mais saudável pode existir na relação entre pais e filhos, pois funcionam como “alimento” para esta relação permitindo o reforço do simbolismo da quadra e não exclusivamente a parte mais comercial da época», explica o psicólogo Armando Afonso, do Centro de Psicologia Aplicada.

Católica praticante, a família Monteiro inicia a antecipação da celebração quatro semanas antes. «Começamos a montar o presépio no primeiro domingo do Advento. Pomos o musgo, fazemos os caminhos de areia e depois, com a ajuda do livro ‘À Espera do Natal’, todos os dias lemos um texto e vamos acrescentando o presépio», conta o pai. A estrela mostra-se no segundo dia, os sinos no dia cinco, os reis magos ao décimo e o menino Jesus só surge mesmo na noite de 24 de dezembro. «Todos os dias fazemos os reis magos andar mais um bocadinho. E no dia de Natal vimos todos ver se já lá está o menino Jesus», explicam os miúdos.

Os presentes dos pais, dados na manhã do dia 25, estão escondidos e obrigam a uma caça ao tesouro, feita com os padrinhos, convidados a participar. «O convívio com a família alargada (tios, primos, avós) é uma experiência muito importante para a identificação da criança a uma determinada dinâmica relacional que se estabelece à volta das memórias que as famílias possuem, permitindo vivenciar e apreender valores e princípios de conduta», lembra Armando Afonso.

Festividades como o Natal são normalmente, na opinião do especialista, «momentos marcantes no desenvolvimento psicológico dos mais pequenos», por assumirem um cariz emocional e relacional «que subsiste na memória ao longo da vida». No caso de famílias religiosas «esta partilha de experiências reveste-se de um simbolismo que ajuda a criar uma atmosfera especial, única, que se torna inesquecível e bastante influente no desenvolvimento infantil», acrescenta o psicólogo. E isto, independentemente da religião de que se fala.

Natais cristãos
Isabel Rute Reinaldo frequenta com o marido e os seis filhos a Igreja Evangélica Baptista de Linda-a-Velha. São protestantes e por isso, a cada Natal, a árvore enfeitada de luz e cor assume na sala o maior destaque. «O pinheiro, que não é caduco e está sempre verde, iluminado, significa a luz que Jesus dá», explica. Mas isso não quer dizer que não haja presépio lá em casa. Os miúdos já montaram um presépio de papel e já fizeram um outro de argila. A ideia do presépio «não é a de adorar as figuras - os evangélicos não veneram figuras - mas mais a de aproveitar a vertente didática do presépio», explica a mãe.

O propósito repete-se com os calendários do advento. Cada um dos seis irmãos - Timóteo, Tito, Rebeca, Eunice, Madalena, Pedro e Sara, que têm entre os dois e os 18 anos - tem o seu calendário. Comem um chocolate por dia, acompanhando o momento de uma pequena leitura ou cântico - e há sempre um calendário extra para uma visita que apareça.

«Não gosto muito daqueles chocolates», confessa Eunice, com 12 anos. No Natal, o que ela aprecia mesmo é enfeitar a árvore e a porta de casa, participar nos musicais encenados na igreja para a festa do domingo anterior, ouvir as leituras do evangelho partilhadas à volta da mesa, interpretar os cânticos com os irmãos e abrir as prendas com os avós.

Os presentes também são um dos pontos altos para a irmã Madalena, um ano mais nova - os que consegue comprar com a verba que lhe é dada pelos pais e os que recebe e guarda num saquinho com motivos da quadra costurado pela avó. Só que, para ela, o Natal também mais do que isso: «é um momento em que a família vai lá casa e nos divertimos todos muito», explica.

A falta da família alargada é uma das diferenças que Thimoteia, com 19 anos, aponta entre os natais de infância na Roménia, e os que agora vive em Portugal. Os pais, Pavel e Laurencia Tienescu, chegaram a Portugal em 2001 e a família mora na Bobadela com o irmão mais novo.

Teodosie tem oito anos e já está habituado a ver calhar o Natal num dia normal de escola. A família Tienescu pertence à igreja ortodoxa - segue o calendário Juliano, criado por Júlio César em 46 A.C. e não o gregoriano - que marca a sete de Janeiro a chegada do Messias. «Já expliquei à professora e, às vezes, fico em casa», conta.

O Natal não recebe um destaque por parte da igreja ortodoxa, que considera a Páscoa a comemoração mais importante. Mas é assinalado na noite de seis para sete de Janeiro com uma celebração - a que a família Tienescu assiste numa igreja de Benfica - e com momentos de convívio familiar que se prolongam pelo dia seguinte. «Preparamos um almoço de Natal e convidamos os cunhados ou alguns amigos», explica Pavel Tienescu. Na Roménia, o costume era os miúdos cantarem as janeiras de porta em porta na noite do dia seis, recebendo doces e guloseimas, e os adultos repetirem a folia pela madrugada seguinte, entre as casas da família e dos amigos.

Outros Natais
O Pai Natal chega para Teodosie a 6 de dezembro - é no Dia de São Nicolau que costuma pôr o sapatinho, receber as prendas e comer as guloseimas - e acredita que é por 7 de janeiro (no calendário gregoriano) que se deu o nascimento de Jesus. Mas ele participa nas festas da escola e tal como a irmã, se quer dar um presente a um amigo, fá-lo ainda em dezembro. Apesar de viver num país predominantemente católico – 85% dos portugueses seguem uma matriz católica segundo o último Censos - a discrepância de datas entre o seu Natal e os dos outros meninos não parece ser um problema para Teodosie.

Os pais podem ajudar os mais novos a compreender e respeitar as diferenças. A par de princípios como a sinceridade, a honestidade ou a lealdade, «a tolerância é, por si só, um princípio educacional, que se for explicado à criança, a tornará um ser mais compreensivo, sensato e que lhe permitirá enfrentar o mundo real de uma forma mais adequada», diz Armando Afonso. Como? Incentivando a ideia de «compreender antes de criticar, pensar antes de se expressar, esclarecendo que não há seres humanos perfeitos e que cada pessoa pode ter uma visão diferente das coisas, sem ter que ser criticada por isso», diz o especialista. «Cabe-lhe a ela aceitar outros pontos de vista e demonstrar os seus, permitindo sempre o diálogo aberto e a busca do crescimento enquanto pessoa».

As palavras do psicólogo podem ainda parecer complicadas a Auyshi Samji, que tem 10 anos. Só que a menina de ascendência indiana e religião hindu convive com uma realidade plural todos os dias. E é com naturalidade que explica ter dois natais - o Diwali e o Natal cristão - e comemorar ambos, com o mesmo entusiasmo. «Rezo nos dois deuses. Eu tenho a minha religião e o meu Deus é o Krishna. Mas Jesus é uma pessoa de bondade, que quer bem a toda a gente, é um Deus, e eu acredito nele... para mim Jesus Cristo e Krishna são a mesma coisa. Rezar a um ou a outro é a mesma coisa, desde que reze nalgum!», explica.

Os pais de Ayushi Samji nasceram em Moçambique, estudaram na Índia e vivem em Portugal há mais de 20 anos. Ashok e Angena frequentam o templo hindu do Lumiar com os filhos (Ayushi tem um irmão de 16 anos chamado Akash) e mantêm os hábitos religiosos. De manhã, acordam com uma oração ao sol, nunca começam a trabalhar ou a estudar sem uma palavra «a nosso senhor» - «que é a Natureza e o Amor» - «para que todo o trabalho seja justo, honrado e verdadeiro, que tudo seja positivo nesse dia». E é descalços e sentados no chão, «com a toda a humildade», que meditam frente aos altares do templo, onde deixam oferendas de frutos secos ou comida, como manda a tradição.

O Diwali, a festa da luz, que celebra a vitória do bem sobre o mal e da luz sobre as trevas, não tem data certa. Este ano calhou em outubro. «Gosto muito das danças do Diwali, fico no templo sempre até tarde nesse dia da festa e, às vezes, aparece lá um senhor com prendas», conta Ayush.

No dia 24 de dezembro, a noite de consoada da família Samji segue os preceitos cristãos. «Faço um belíssimo jantar, só que vegetariano, que nós somos contra a violência e não comemos animais», começa por explicar Angena. O resto é muito semelhante aos natais da maioria. Na sala, há uma árvore enfeitada pelos miúdos e um presépio feito a rigor, ora-se em família, Samji gosta de pôr o sapatinho para receber os presentes e não raras vezes a família vai a uma igreja católica assistir à missa já no Dia de Natal. «Faço tudo igual, só não como a hóstia», confirma Ayushi.

Prendas em excesso
Os miúdos pedem muito e as famílias dão demais. A queixa não será generalizada, em tempo de crise, mas é comum a muitos pais portugueses. “A materialização é um processo, infelizmente em crescimento, e que ganha contornos exagerados nesta”, comenta o psicólogo Armando Afonso. O excesso de presentes funciona por vezes como “mecanismo compensatório”, desculpabilizador da falta de tempo da sociedade. O psicólogo defende “poucos presentes, que tenham significado para a criança e sejam ajustados à sua idade e muita comunicação, compreensão e afeto, pois, são esses os pilares de um crescimento psicológico saudável”.

Referências bibliográficas:
  • Pais & Filhos. (2013). Um Natal, muitos Natais… Retirado dezembro 17, 2013, de http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-3-aos-5-anos/5713-um-natal-muitos-natais.
Zusana Matos Diaz (Educadora de Infância de Intervenção Precoce)»»»» 23/12/2013

Educadora Infor+





Mãe, tenho medo…

Temem o escuro, os ladrões, os monstros debaixo da cama. Assustam-se com os ruídos fortes e com as ondas do mar. Receiam o primeiro dia de escola. Ter medos e aprender a ultrapassá-los faz parte do crescimento das crianças.

A água do banho não chegava para a assustar. Mas a Francisca nunca gostou do azul profundo das piscinas de férias. E muito menos da altura das ondas do mar. «Não!», repetia a cada tentativa dos pais. Não queria. Tinha medo da água. Chorava assim que os salpicos lhe cobriam as pernas. Entrava em pânico quando sentia a barriga molhada. Aprendeu a fugir das ondas no mesmo ano em que começou a andar. «A Francisca nunca apanhou nenhum susto, mas sempre teve pavor de água», diz a mãe, Inês Almeida Ramos. O colo dos pais amenizava a ansiedade, mas a cintura marcava o limite. «Chorava, dizia que queria sair.». Nunca se aproximou do rebordo da piscina da casa de férias. Na praia da Falésia, no Algarve, onde a família passa um mês inteiro todos os verões, preferia brincar com a areia.

O tempo passou, o medo manteve-se. Só no último Verão, já com três anos feitos, a Francisca começou a aventurar-se. O primo Bernardo, um pouco mais velho, convidava-a, insistia, desafiava-a. E ela deixava-se ir, com a mão bem agarrada ao braço da tia. «Connosco, ela sentia-se mais à-vontade para dizer que tinha medo. Foi com os primos mais velhos que começou a ir. Mas nunca deixava a água subir acima do nível da barriga», conta a mãe.

Com o primeiro passo já dado, Francisca venceu o medo nas visitas da escola às praias da Costa da Caparica. «Ela gosta de ser líder, na escola é mais destemida e até um bocadinho mandona. Estavam lá miúdos mais velhos, não queria mostrar-se assustada», diz a mãe.

Inês está aliviada e entusiasma-se com os progressos da filha. A história de um irmão atirado à piscina em bebé e que se recusou a entrar na água até aos 12 anos vem-lhe várias vezes à memória. «Foi empurrado por outro irmão. Deixou de confiar nas pessoas. Estávamos sempre todos na água e ele nunca vinha. Isso marcou-me um bocado», conta. Por isso, nunca forçou a filha, tentava molhá-la, convidava-a, mas nunca a obrigava.

Medos: inconscientes ou naturais?

«Os medos, quando estão de acordo com a idade, protegem as crianças dos perigos. São uma espécie de anjos da guarda», explica a psicopedagoga Joana Sarmento Moreira. Amiga da mãe da Francisca, foi uma das pessoas que aconselhou Inês a não forçar a filha com os mergulhos. «É muito importante os pais saberem dar tempo aos filhos e perceberem que ter medos faz parte do seu crescimento», diz.

As crianças transportam na sua herança genética medos que as impedem de se sentir atraídas por répteis, de se aventurar no escuro ou se lançar das alturas. E apreendem novos receios com a experiência e a socialização. Registam que o fogo queima quando o calor na mão aumenta, aprendem a não se aproximar do lume ao observar que a mãe também nunca lhe toca. «Se ficam expostas ao perigo, as crianças percebem a sua vulnerabilidade. Mas estão também muito atentas às reações dos pais. Muitas vezes, começam a ter medo, não por um qualquer capricho bizarro, mas porque estão muito alerta para os comportamentos da mãe», diz o psicólogo Eduardo Sá.

Marco tem hoje nove anos e um medo enorme de ladrões que só muito lentamente está a conseguir ultrapassar. Receia estar em casas muito grandes. Teme o que pode estar além de uma porta ou por trás de uma esquina. É assim desde os cinco anos. Marco nunca esqueceu o dia em que dois homens entraram na casa da avó, ao lado da sua, para a roubarem. Foi numa noite de passagem de ano. Os ladrões entraram com o à-vontade de quem sabia que os donos da casa iam todos os fins-de-semana para fora. Mas foram surpreendidos pela presença do casal. «O Marco ouviu os gritos da avó e assistiu a tudo», conta a mãe, que prefere identificar-se apenas com o primeiro nome, Carla.

Da janela, Marco viu o pai e o tio saltarem o muro e desaparecerem atrás dos dois homens pelo terreno que se estende pelas traseiras das vivendas. Dentro de casa, assistiu ao nervosismo das mulheres que ficaram para trás, sem saber o que estava a acontecer. Já pela noite dentro, viu o pai chegar com um olho negro e o tio com sangue na camisa. «Não os conseguiram apanhar. Conversámos com os vizinhos e pusemos uma vedação alta nos quintais. Conversei com ele e expliquei-lhe que assim os ladrões não conseguiam voltar a entrar. Achei que o assunto estava resolvido», conta a mãe. Mas o Marco mudou. Assustava-se com os barulhos à noite. Deixou de querer dormir sozinho. Tinha pesadelos, dizia que via pessoas. «Ele era muito pequeno e eu não tive a noção que todas essas coisas eram medo dos ladrões», conta a mãe.

Foi pela própria mão, anos mais tarde, que o Marco confessou ao papel o que continuava a preocupá-lo. «Sou professora na escola onde ele anda. Há uns tempos, assisti a uma apresentação sobre os medos das crianças numa ação de formação. O psicólogo tinha falado previamente com as professoras. Pediu-lhes que os miúdos escrevessem uma composição sobre o medo. Um dos textos selecionados e lido em voz alta era o do Marco. Ele escreveu: A minha mãe diz para eu não ter medo, mas eu não consigo. Quero dizer que não tenho medo, mas ainda tenho», conta Carla. O alerta estava dado. O resto tem sido fruto de muito trabalho. Marco mudou-se de Odivelas para a Ericeira. Mora numa casa ampla onde consegue ver todas as portas a partir do hall de entrada. Tem um cão no jardim que ladra aos desconhecidos. E até já fica sozinho em casa de vez em quando. A psicóloga da escola tem dado uma ajuda.

Medo do quê?
Os medos infantis assumem formas diferentes, consoante as etapas de crescimento. Mas crescem e desaparecem com a idade:

0-6 meses - Ruídos fortes, sensações de perda de amparo ou desequilíbrio;
7-12 meses - Pessoas estranhas e situações imprevistas;
1 ano - Pessoas que não conhecem, ficar longe dos pais;
2 anos - Ruídos fortes, estar longe dos pais, mudanças do meio envolvente;
3-4 anos - Máscaras, quartos escuros, animais, separarem-se dos pais;
5 anos - Ruídos, afastamento dos pais, feridas (medo de se magoarem), ambientes escuros, animais e pessoas más;
6 anos - Monstros e seres sobrenaturais. Dormirem ou ficarem sozinhos;
7-8 anos - Ficarem sozinhos, fantasmas, notícias que ouvem nos Media. Parecerem ridículos perante outros em determinadas situações;
9-12 anos - As transformações no seu corpo, a morte e os ferimentos corporais. Os exames escolares, as trovoadas, os relâmpagos, os tremores de terra e outras catástrofes naturais.

O medo de ter medo

Janelas, muros, grades e escadas. Os obstáculos eram reais, estavam por toda a parte, cresciam aos olhos da Margarida. Chegaram os 6 anos, a entrada na escola. Os inimigos mantinham-se. Destinaram-lhe uma sala de aula no primeiro andar. Margarida (nome fictício) chegava ao colo dos pais ao cimo das escadas e só em piso firme colocava os pés no chão. «Era um caso muito curioso. Não havia uma razão aparente. A mãe não conseguia explicar o medo das alturas da filha. Desde os 3 anos que era assim, começava a tremer e ficava pálida sempre que se deparava com um degrau, uma elevação», conta Rosália Ferreira, professora do primeiro ciclo do ensino básico. A situação, recorda anos mais tarde, foi um desafio para todos. «Foi feito um trabalho muito giro, que envolveu também os pais, com a ajuda de um psicólogo e um professor de educação física». O medo da Margarida foi contado aos outros colegas. A menina aproveitava o intervalo para fazer exercícios com um banco sueco. Recebia palmas a cada pequena vitória. E, a pouco e pouco, foi perdendo o medo. «A fobia é o medo por antecipação. É o medo de ter medo. E afeta crianças e adultos», garante o psicólogo Eduardo Sá. Os sinais de uma fobia são sobretudo físicos. «As crianças dizem que as pernas tremem, que sentem o coração a bater muito, queixam-se de falta de ar», descreve Rosália Ferreira. Margarida terá sido um caso excecional na sua carreira de docência, mas não o único. «Numa outra escola, tivemos também um miúdo com fobia de animais. O medo era muito real. Ele até dizia que sentia uma pressão no peito», diz. «Quando há uma fobia, a criança evita o confronto com o estímulo desse medo grave. Não consegue enfrentá-lo. Sente dores de barriga, as mãos a suar - aquilo a que os especialistas chamam ‘sintomatização’. Ela não está a mentir. É um medo patológico, paralisante», confirma Joana Sarmento Moreira. As fobias condicionam o comportamento das crianças e, muitas vezes, os pais não conseguem lidar com a situação sozinhos. Quando se veem confrontados com um medo impróprio para a idade, sério e persistente no tempo, é importante que peçam ajuda. Há medos que passam com a idade e não há uma relação direta entre a fobia de um adulto e os receios que sentiu em criança. «Mas um medo mal resolvido pode tornar-se uma fobia grave», alerta a especialista.

Referências bibliográficas:
  • Pais & Filhos. (2013). Mãe - tenho medo... Retirado dezembro 03, 2013, de http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-3-aos-5-anos/5964-mae-tenho-medo.
Zusana Matos Diaz (Educadora de Infância de Intervenção Precoce)»»»» 09/12/2013

Projeto Pedagógico do Berçário & Creche "Tia São"!



Projeto Pedagógico: “Pequenos descobridores, grandes descobertas!”  


O projeto pedagógico intitulado “Pequenos descobridores, grandes descobertas!” da sala arco-íris (Berçário) e da sala sol (Creche) assenta nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar (OCEPE). Sabendo que a criança se vai desenvolver na relação consigo própria, com os outros e com o mundo, iremos desenvolver um trabalho centrado no tema das descobertas, de forma que lhes sejam proporcionadas situações de distinção entre o real e o imaginário e suportes que lhes permitam desenvolver a imaginação criadora como procura e descoberta de soluções e exploração de diferentes mundos (OCEPE, 1997).
Pretende-se com este trabalho desenvolver situações de aprendizagem, mas também de aquisição progressivamente mais consistentes, e de uma linguagem que permite, interativamente, a apropriação da descoberta e a explicitação dessa descoberta partilhando-a com os outros. O que se explicita torna-se real. A explicitação da descoberta pela palavra sedimenta as bases de outros saltos para outras descobertas.
Como é referido pelos autores Hohmann e Weikaert (1997), no contexto da aprendizagem ativa, onde a linguagem da criança reflete as suas perceções pessoais e as suas preocupações, a voz de cada criança é atentamente ouvida. Deverá dar-se resposta aos “porquês”, “como”, “onde” e “quando” que afloram constantemente às interpelações das crianças.
Para a criança muito pequena o acesso aos materiais, a liberdade para os manipular, transformar e combinar ao seu desejo e o tempo para o fazer, são aspetos absolutamente essenciais ao processo da descoberta (Hohmann & Weikaert, 1997). É a criação das condições necessárias - materiais, pedagógicas e psicológicas - para esta descoberta, que nos propomos proporcionar às crianças de modo a levar a cabo este projeto pedagógico.
Tendo em consideração a potencial riqueza do desenvolvimento e aprendizagem que este grupo oferece (idades diversificadas e crianças bem estruturadas a nível afetivo e cognitivo), consideramos que seria de aproveitar ao máximo as diversidades do grupo, não reduzindo o processo de aprendizagem a temas únicos e redutores. Assim, optamos por um tema que se vai adequando de um modo flexível e criativo às necessidades do próprio grupo. As crianças, apesar da sua tenra idade, podem ser já agentes e não apenas sujeitos de aprendizagem.
Assim, propomo-nos, centrando-nos no tema da descoberta, proporcionar o prazer de realizar novas experiências, valorizando as descobertas da criança, apoiando a reflexão sobre estas experiências e descobertas, de modo a permitir uma apropriação dos diferentes meios de expressão e comunicação. Este processo implica planear e proporcionar situações de aprendizagem diversificadas e progressivamente mais complexas (OCEPE, 1997).
Irei trabalhar com as crianças, Pequenos descobridores… grandes descobertas!, a partir do EU, dos OUTROS e do MUNDO, abordando assim as diferentes áreas de conteúdo: área de formação pessoal e social, área de expressão e comunicação e área de conhecimento do mundo. 

Educadora de Infância de Intervenção Precoce Zusana Diaz (07-01-2013)