Aquisição e desenvolvimento da linguagem em crianças com 2-3 anos de
idade - parte II
Qual a importância do estudo dos 2-3 anos de idade
para uma intervenção junto de crianças com Necessidades Educativas Especiais
(N.E.E.)?
O estudo dos 2-3 anos de idade revela-se fulcral para uma intervenção
junto de crianças com N.E.E., porque é importante que o educador tenha em conta
os marcos do desenvolvimento considerado normal para crianças com esta idade.
Tendo em mente estes marcos do desenvolvimento estará mais alerta para crianças
que se estão a desenvolver fugindo um pouco do que seria esperado para a idade
dos 2-3 anos. Para além disso, a faixa etária dos 2-3 anos é fundamental no que
diz respeito à aquisição e desenvolvimento da linguagem de uma criança, uma vez
que o conteúdo expresso oralmente pelas crianças desta idade traduz-se cada vez
melhor através de uma forma sintática, morfológica, articulatória e
semanticamente mais apurada e os temas abordados nestes três primeiros anos de vida
estão ligados ao contexto pragmático vivenciado pelas crianças. O seu dia-a-dia
ainda fornece a maior parte dos assuntos que a criança quer ver expressos e
que, aliás, ela é capaz de tratar oralmente, quer em compreensão quer em
produção. Por todos estes motivos, é de facto importante saber de que forma
(pelo menos geral) se processa a aquisição e o desenvolvimento da linguagem em
crianças desta idade.
Os processos, conteúdos e formas das aquisições nesta fase e nas
restantes começam a ser descritos e explicados cada vez melhor e mais profunda
e precisamente. Mas, quando o desenvolvimento não se efetua segundo os
critérios estabelecidos pelas normas em vigor ou nas melhores condições, convém
de imediato analisar se se trata de um atraso ou de um desvio neste
desenvolvimento. Quando os especialistas consideram que existe “atraso de
linguagem”, entendem que o desenvolvimento se processará segundo os parâmetros
considerados normais, mas fora do prazo normalmente atribuído para que tal
aquisição aconteça.
Por exemplo, sabe-se que o “porquê” surge por volta dos 3 anos de idade,
assim como a utilização do pronome pessoal “eu” (mais precisamente aos 34
meses, em média). Se estas duas aquisições não se manifestam até à criança
completar os seus 36 meses, o educador terá de pousar sobre ela um olhar atento
a fim de verificar se existem mais situações de atraso, nas noções que a
criança deveria manipular com certo à-vontade e que ela ainda não parece ter
experimentado linguisticamente.
Quando a criança nasce portadora de uma deficiência, por isso cujo
diagnóstico se resume frequentemente a um nome (síndrome de…, Trissomia 21,
surdez, cegueira, …), especialistas e familiares estão normalmente mais
prevenidos em relação às dificuldades fortemente prováveis, para não dizer
óbvias, do desenvolvimento da linguagem.
Nestes casos, jogar-se-á frequente e paralelamente com dois tipos de
dificuldades: o atraso nas aquisições, que irão efetuar-se num ritmo muito mais
lento e segundo etapas mais duradoiras até passar para a etapa seguinte, e o
desenvolvimento atípico, constituído por dificuldades específicas, particulares
à patologia em causa ou pertencentes ao indivíduo em si; o que quer dizer que
estas dificuldades serão, por um lado, previsíveis (porque estudadas no âmbito das
patologias em causa e descritas mais ou menos pormenorizadamente) e, por outro,
assintomáticas (porque idiossincráticas, individuais). Em ambos os casos será
importante que o educador identifique as dificuldades das crianças, para
posteriormente poder intervir (e estimular) o mais precocemente possível (ao
nível educacional, terapêutico, por exemplo) e evitar atrasos muito
significativos, os quais teriam lugar, certamente, se não se interviesse desde
logo.
Crianças habituadas desde muito cedo no seu desenvolvimento a folhear
livros, contactar com material escrito diversificado e submetidas a uma
estimulação precoce atenta e esclarecida, seja ao nível da linguagem escrita
como ao da oral, manifestarão maior propensão a desenvolver a sua linguagem de
forma globalizante e funcional.
Devemos intervir e estimular precocemente a comunicação e a linguagem
nas suas componentes orais e escritas, porque de facto é fundamental intervir,
em Educação, de forma consciente e eficaz, para servirmos de verdadeiros agentes
de desenvolvimento, favorecedores de processos harmoniosos e individualizados
de uma aquisição plena. Cada indivíduo tem, efetivamente, o direito de
desenvolver ao máximo as suas potencialidades. Este investimento precoce abre
inúmeras possibilidades, não só em termos de educação, como de prevenção.
Referências bibliográficas
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Sim-sim, Inês; Silva, Ana Cristina & Nunes,
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Ministério da Educação.
Zusana Matos Diaz (Educadora de Infância de Intervenção Precoce) »»»» 18/02/2013