terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Serviço de Terapia da Fala disponível no Berçário & Creche "Tia São"!


O Serviço de Intervenção Precoce do Berçário & Creche "Tia São" conta já com a colaboração de uma Terapeuta da Fala!

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Festa na Creche & Berçário "Tia São"!

Festa de Dia de Reis

A Festa de Dia de Reis, realizada este ano pela segunda vez consecutiva, acontecerá na próxima sexta-feira, dia 10 de janeiro, a partir das 19h30m, na Junta de Freguesia de Santa Maria da Feira. 

Contamos com a presença de todos; crianças, pais e colaboradores!

Votos de um Feliz Ano de 2014!

Educadora Infor+






A amiga chupeta

Feminina ou masculina, com nome ou incógnita, presa ou solta à roupa, grande ou pequena, de látex ou silicone… As crianças adoram e os pais descansam. Mas, há muito mais a dizer a dizer sobre a chupeta, este objeto tão importante na vida dos mais pequenos.

É claramente enternecedor observar um bebé a chuchar, uma imagem que transmite serenidade e faz parte do mundo “angelical” dos mais pequenos. Dentro dos parâmetros ditos habituais, e falando de crianças cognitivamente saudáveis, há sempre um tempo próprio e único para cada indivíduo dar um novo passo na sua vida. Cada criança é um caso, cada uma tem direito ao seu próprio desenvolvimento e não são expectáveis comportamentos iguais e ditos normais. A chucha, o seu uso, as suas vantagens e desvantagens, também são muitas e encaixam-se em cada criança de uma maneira exclusiva e especial. 

Gabriel tinha quase três anos e ainda continuava agarrado à sua “Néné” (como chamava à chucha). Os pais falaram com a pediatra e com a educadora da creche e ambas insistiram para a retirada da chupeta. Rita, a mãe de Gabriel, tentou explicar ao filho porque devia largar a chucha, mas ele não entendeu e tão pouco ligou. Segundo disse na altura a pediatra do Gabriel, não se deve dar muitas explicações às crianças pois estas ainda não têm maturidade para entender as consequências do uso da chucha. Como conselho, disse apenas para promover a separação deste objeto da criança, incentivando-o como um menino corajoso, grande, e já não um bebé. Aos poucos, os pais do Gabriel conseguiram tirar-lhe a chucha durante o dia, mas o menino já tinha quatro anos e ainda a usava à noite. A ajuda da educadora foi essencial, com a história que contou ao Gabriel (e de que ele, agora com sete anos, ainda se lembra): a história de uma coruja que apanha as chuchas dos meninos grandes - deixadas nas janelas - para levar para uma terra onde só existem bebés e, em troca, deixa uma medalha como agradecimento.

Amuleto indispensável
Esta é apenas uma das muitas situações decorrentes da retirada da chucha. Porém, com paciência e, por vezes, alguma criatividade, tudo se consegue. Não há que julgar ou criticar, como também não há quem saiba o que é mais certo e o que está errado. Cada progenitor tenta, com certeza, fazer o melhor para o seu filho e manter a harmonia em casa. Mas pais há muitos: existem os “anti-chucha”, os obsessivos por estas (afinal, este objeto serve de calmante para toda a família), os “equilibrados” e os que seguem os livros e as opiniões dos pediatras. É certo que devemos estar atentos às informações dos especialistas sobre o assunto, mas também há que ter em conta o ambiente, a criança e o que o nosso coração nos comunica.

 “A chucha é um objeto confortante para o bebé e enquanto feto ele já chucha no dedo (na vida intrauterina). Podemos dizer que chuchar no polegar ou na chucha é um padrão saudável de auto conforto que parece ser inato. O recém nascido tem o reflexo de mão na boca”, explica Paula Garcia, pediatra no Hospital da Luz, em Lisboa. Por isso, prossegue, “quando está desconfortável ou a tentar sossegar, chucha para se controlar a si próprio”. E mesmo quando os pais não são apologistas deste objeto, ou este não existe, é usual a criança arranjar outro “amuleto” para substituir a chucha. “Costumo dizer que se não têm chucha acabam sempre por encontrar outros objetos para chuchar, tal como o dedo, uma fralda de pano, um boneco (que acaba por andar sujo e que a criança não autoriza que seja lavado, pois tem o sabor e o cheiro que ela procura) ”, diz a especialista.

A pedopsiquiatra Nazaré Santos, por seu turno, salienta: “A criança está sujeita a pressões internas e externas durante o seu desenvolvimento que lhe provocam ansiedade. Esta pode ser minimizada com o uso da chucha, que a conforta e acalma. Quando está a chuchar, o bebé está sossegado, o que lhe permite aperceber-se do que o rodeia”. Por outro lado, diz ainda, “colocar objetos (chucha ou brinquedos) na boca é também um meio de aprender e explorar o seu mundo” e “a utilização da chucha para acalmar o bebé pode camuflar o motivo real do seu desconforto”.

Usar sem abusar
Segundo a pediatra Paula Garcia, o uso da chupeta não deve ser imediato: “A sucção na tetina é diferente da que o recém-nascido faz na mama, pelo que a introdução da chucha só deverá ser feita depois de o bebé estar bem adaptado à mama”. Já noutros casos, este objeto é de grande importância logo após o nascimento, concretamente, no caso dos recém-nascidos prematuros. “Nesta situação, a chucha é muitas vezes utilizada nas técnicas de estimulação da sucção já que este reflexo só é adquirido nas últimas semanas de gestação e o prematuro não sabe mamar”. Chuchar faz bem e recomenda-se, contudo a chupeta não deve fazer parte da criança tal qual oxigénio. Há que haver ponderação, bom senso e limites. “Muitas vezes, a chucha é mais para conforto dos pais, funciona como uma rolha que permite que a criança se acalme. No caso do bebé com cólicas, por exemplo, a sucção na chucha pode aliviar o mal-estar. E na criança mais velha acaba muitas vezes com a birra”. 

São muitas as vantagens deste objeto e não tem, propriamente, contraindicações. “Claro que não devemos impor o seu uso e a moda de andar com a chucha pendurada é infeliz porque, mesmo que a criança não se lembre, ela está sempre à vista e disponível pelo que será usada mais frequentemente e até mais tarde. E não deixa de ser também muito pouco higiénico”, denuncia a médica.

Efeitos secundários
Quanto a eventuais efeitos secundários, Paula Garcia lembra que “alguns estudos relacionam o uso da chucha com a maior incidência de otites porque a sucção poderá ajudar na passagem de microrganismos da cavidade oral para o ouvido através da trompa de Eustáquio, que é o canal de ligação”. Também há alguns estudos, prossegue, “que referem maior incidência de infeções gastrointestinais” e que “o uso da chucha poderá interferir na fala, não só na dicção, se for usada até muito tarde, como também na própria relação com os outros, já que a criança prefere andar com a chupeta e não desenvolve as competências linguísticas necessárias para comunicar com os ‘amigos’”. Além disso, acrescenta, “também interfere na dentição e na formação da arcada dentária”, pelo que, defende, o seu uso deverá ser interrompido entre os 18 meses e os dois anos. Ou pelo menos reduzido, tentando que seja só para adormecer ou, eventualmente, para controlar alguma birra”.

Fernando Mesquita Gabriel, odontopediatra, esclarece-nos sobre as desvantagens que a chucha pode trazer para a boca dos mais pequenos: “Se as crianças continuarem com a chucha, especialmente após o nascimento dos dentes definitivos, então os efeitos serão certamente irreversíveis. A principal consequência desde hábito é em termos de oclusão,  provocando um estreitamento do maxilar superior levando a uma mordida cruzada posterior e provocando também uma mordida aberta anterior (ou seja os dentes anteriores e superiores não contactam entre si, o que não é normal)”. Felizmente, a medicina está avançada e existe tratamento para dentes “mal tratados” por chuchas. Contudo, há que lembrar que, para além das despesas financeiras serem grandes, o tratamento implica muita paciência, tanto dos pais como da criança a fim de seguirem o tratamento com a atenção prevista e os cuidados exigidos. “O tratamento numa fase inicial é preventivo e intercetivo, ou seja, passa pela eliminação do uso da chucha, o que pode ser muito difícil de conseguir”, diz, adiantando: “Podem- se usar várias estratégias e aparelhos para cortar com este hábito. Se a criança o deixar relativamente cedo, pode dar-se uma correção espontânea dos problemas oclusais. Se o problema oclusal se mantiver, então a situação terá que ser resolvida com aparelhos de ortodontia, normalmente a partir da altura em que já estejam presentes dentes definitivos. Mesmo nesta altura, é fundamental que a criança já não chuche pois, se houver uma guerra entre a chucha/dedo e o aparelho, o aparelho perde sempre!”.

Adeus chucha!
A pediatra Paula Garcia destaca a importância do desapego da chucha por volta dos três anos pois, segundo justifica, as crianças com necessidade de usá-la como refúgio até muito tarde (idade escolar), “podem refletir problemas relacionados com a socialização que terão eventualmente de ser analisados de outra forma”. Além disso, defende, “os pais não devem incentivar o seu uso reservando-o apenas para situações críticas”.

Já o odontopediatra dá mais algum “tempo de vida” ao hábito de chuchar: “A maior parte das crianças deixam de ter estes hábitos por si próprias. Contudo deverão deixar a chucha o mais cedo possível, geralmente até aos quatros anos de idade.” E, como chamada de atenção, a pedopsiquiatra Nazaré Santos realça: “A chucha não deve ser tirada repentinamente pois pode precipitar ansiedade, mas sim retirada  lentamente,  ao ritmo da criança”. A especialista defende ainda que “pode limitar-se o seu uso diário, substituindo-a gradualmente por um objeto  preferido” e que “em situações de stresse deve ser permitido utilizá-la”.

E qual a melhor? Na opinião da pediatra, “relativamente ao tipo de chucha, as de silicone são as mais duradouras e as mais higiénicas. Mesmo que os miúdos prefiram as de látex, por serem mais maleáveis, é aconselhável o uso das outras”. Na realidade, “até há bebés que podem ser alérgicos ao látex, pelo que será sempre preferível as de silicone”. Para garantir que a criança não apanhe doenças pela falta de higiene da chucha, esta deverá ser mantida limpa. “O que não significa que tenha de ser esterilizada sempre que cai: basta passar por água quente no bebé enquanto latente”, conclui.

Chucha reduz a morte súbita
Desta vez é o órgão oficial da American Academy of Pediatrics que o diz. Segundo este, as crianças que usam chupeta durante o sono reduzem o risco de SIDS (Sudden Infant Death Syndrome ou “morte súbita”) em 61 por cento em relação às que não a usam. Isto porque a respiração oral é facilitada em caso de obstrução nasal, há baixo risco de obstrução orofaríngea pela posição em que a língua se encontra e, por fim, porque é usual os bebés que usam chupeta acordarem menos vezes durante o sono.

Vamos largar a chucha?
Truques para ajudar a criança
-  O dia do “adeus” deve ser falado e decidido com a criança;
- Nunca se deve tirar a chupeta a uma criança em alturas de mudança (ex.: nascimento de um irmão, entrada numa nova escola, divórcio dos pais);
-  A despedida da chucha deve ser feita de forma a fazer a criança sentir-se generosa ou corajosa. Por exemplo, podem decidir deitar a chucha a um lago com patos e dizer que estes são os “guardiões das chuchas dos meninos corajosos” ou colocar num envelope com o intuito de enviar pelo correio, dizendo à criança que a chucha irá viajar até uma terra muito longe onde há muitos bebés sem chuchas e a precisar muito;
- Também pode ser a altura ideal para a “fada das chuchas” entrar em cena. Tal como a dos dentes, esta pode deixar um presente, durante a noite, à criança que deixa a chucha debaixo da almofada.

Nota: É aconselhável que não deite a chucha fora: guarde-a pois pode ser uma boa recordação ou ser necessária numa eventualidade.

Referências bibliográficas:
  • Pais & Filhos. (2013). A amiga chupeta - amuleto indispensável. Retirado novembro 24, 2013, de http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-0-aos-2-anos/6766-a-amiga-chupeta?start=1.
Zusana Matos Diaz (Educadora de Infância de Intervenção Precoce)»»»» 25/11/2013

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Nascer diferente


Isabel vivia uma segunda gravidez perfeitamente normal e foi nas calmas com o marido à ecografia das 12 semanas. «Estávamos radiantes, sobretudo com a expetativa de saber se era rapaz, porque tínhamos uma filha com três anos», conta. O sonho foi interrompido de forma brutal quando a ecografista anunciou que talvez fosse melhor fazer mais exames porque detetava sinais suspeitos. «Nem percebi muito bem. Achei que ainda seria cedo e que talvez fosse melhor repetir o exame uma semana mais tarde», recorda Isabel, três anos depois de um período que preferiria esquecer. «Começou uma corrida de consultas e exames no Serviço de Genética do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Com a confirmação do pior cenário depois da amniocentese, uma trissomia 21, tivemos de decidir muito rapidamente o que fazer. Foi muito doloroso, mas era evidente para os dois que não podíamos deixar seguir a gravidez, face às dificuldades de vida que este filho teria, a falta de redes de apoio e, sobretudo, para o nosso projeto de família», explica. 


Se, durante o processo, Isabel e o marido estiveram em total sintonia, o período que se seguiu à interrupção foi de enorme sofrimento para ela, que sentiu um afastamento no casal. «Salvou-me o apoio psicológico e a necessidade de reagir pela minha outra filha, que, naturalmente, me puxava para o lado positivo da vida. Sem o apoio psicológico que felizmente nos foi facultado pelo hospital e sem a participação do meu marido nessas consultas acho que nos teríamos divorciado. A dor é muito funda e nunca acaba. Aprendemos a viver com a realidade». Um ano e meio, depois Isabel voltou a engravidar e foi imediatamente acompanhada na consulta do alto risco. «Aos 29 anos nada fazia suspeitar de problemas, mas com 31 vivi a terceira gravidez de forma muito angustiada. Com esperança, mas sempre com imenso medo de voltar a passar pelo mesmo. Digamos que vivi por etapas, ecografia das 12 semanas OK, rastreio pré natal OK; amniocentese OK; ecocardiograma OK; ecografia morfológica OK. E só descansei mesmo no dia em que a minha segunda filha nasceu e toda a equipa me garantiu que era absolutamente saudável».


«Já nos sentíamos pais deste bebé»

Francisca Prieto viveu uma terceira gravidez igualmente calma e foi também na ecografia das 12 semanas que surgiram suspeitas. Cinco anos e meio depois - conta, emocionada, o processo - as dificuldades e a alegria que a filha Francisca representa todos os dias para toda a família. «É evidente que no dia em que soube esta notícia tive um desgosto enorme, não é isto que uma pessoa está à espera» afirma. «A primeira suspeita foi na ecografia das 12 semanas. Já tinha dois filhos perfeitamente saudáveis que tinham nascido de seguida e por isso encarei a consulta como um exame de rotina. Eu sou otimista por natureza e por isso achei sempre que não haveria problema; mas no caso da Francisca houve um indicador tão forte que quis fazer os exames para não passar a gravidez sem saber». Para o casal a hipótese da interrupção seria ponderada caso «houvesse uma complicação cardíaca tão grave que fosse incompatível com a vida», sublinha. Francisca não hesita quando afirma compreender o que leva a maioria das pessoas a optar pela interrupção. Considera-se uma privilegiada por «ter um marido para quem também era evidente que este bebé era para nascer. Tanto ele como eu já nos sentíamos muito pais deste bebé e nem toda a gente tem essa sorte». Dito isto não se pense que foi fácil o caminho. «Vivemos um período de luto, de confrontação que não ia ser o bebé saudável que estávamos à espera. E depois aconteceu uma coisa horrível na gravidez, que é pensar que se a Natureza decidisse tomar conta disto resolvia-se o problema. Hoje tenho horror em pensar que pensei nisso, mas é verdade», assume. Independentemente de a decisão estar tomada, Francisca diz ter-se sentido chocada com alguns médicos que pareciam querer dar informação no sentido da interrupção. «Não que eu tenha padrões morais acima de qualquer outra pessoa, nem por outra razão de ordem religiosa, mas simplesmente porque para mim este bebé já era meu filho».


Apesar de não ser médica, a psicóloga Alexandra Leonardo justifica a preocupação do Serviço de Genética de Santa Maria: a equipa médica precisa certificar-se «de que é uma decisão consciente, ou se há algum mecanismo de negação. Há, de facto, mulheres, casais, que procuram muita informação, que não estão em negação e que, por razões várias, optam por avançar com a gravidez», afirma Alexandra Leonardo. Estamos perante uma situação muito delicada: «Não é uma questão de moralidade social. A lei permite que a interrupção se faça até às 24 semanas, mas nós temos uma lei interna e é com essa lei interna que a mulher e o casal vão ter de conviver. O casal que decide continuar vai ser posto à prova muitas vezes, e também um processo. Não há certezas.»


Tempo de preparação

Francisca Prieto considera uma grande vantagem ter sabido antecipadamente a notícia. «Foram seis meses de preparação. A parte má é que foi uma gravidez horrível. A preparação foi fundamental. Fui falar com pessoas, nomeadamente o Dr. Miguel Palha, e isso permitiu-me ficar a saber que há equipas de pessoas que trabalham muito bem com os miúdos, permitiu-nos perceber que a vida destes miúdos hoje em dia já não é estar confinado à casa. Estão cada vez mais a ir para ensino regular, a aprender a ler, a escrever. A trabalhar para poderem ter um projeto de vida. Porque, no fundo, o que nós queremos é que consigam ter um projeto de vida. A grande preocupação dos pais é essa. Antigamente dizíamos que o importante era que os filhos fossem felizes; mas ninguém é feliz se não for autónomo, se não tiver a sua vida. O que nós queremos para estes filhos é exatamente a mesma coisa que queremos para os outros: autonomia e felicidade. E perceber que isso já é possível é uma coisa extraordinária».


Para além dos seis meses de preparação, «o dia do nascimento passa a ser um dia de alívio e felicidade. Não é um dia de desgosto. Passei a gravidez toda doida para ela nascer, para a poder ter ao colo. Já sabia que tinha o problema, sentia uma enorme necessidade de que ela nascesse para começar a resolvê-lo. E ao vê-la (fotografia da Francisca recém-nascida) pensei: «É a minha filha, é uma bebé! Um quico de gente».


Opões

Isabel e Francisca, dois casos similares, decisões diferentes. O caso de Isabel é paradigmático da maioria das situações. Maria Augusta Rebordão, obstetra especialista em diagnóstico pré-natal, afirma que nos 12 anos de prática no Hospital Garcia de Orta, em Almada, era esta a regra que encontrou quando surgiam confirmações de problemas graves. A obstetra considera que a grande maioria dos casais, perante um diagnóstico de trissomia 21, opta pela Interrupção Terapêutica da Gravidez «porque tem a noção de que a sociedade portuguesa não tem condições para apoiar estas crianças e porque não querem sobrecarregar irmãos ou outros familiares perante o cenário cada vez mais frequente de sobrevida destes filhos aos seus pais». A ideia do bebé perfeito é absoluta. Alexandra Leonardo tem a mesma experiência. Muitas são as razões para que uma grávida decida não ter o bebé, mas um fator determinante é a noção de que não há apoios. «Uma questão que preocupa muito os casais é o que acontece se os pais morrerem antes do filho» sublinha Alexandra Leonardo.


Referências bibliográficas:

  • Pais & Filhos. (2013). Nascer diferente. Retirado novembro 10, 2013, de http://www.paisefilhos.pt/index.php/gravidez/pos-parto/4715-nascer-diferente?start=1.

Zusana Matos Diaz (Educadora de Infância de Intervenção Precoce)»»»» 11/11/2013

Educadora Infor+





Crianças obesas mais suscetíveis à publicidade

As crianças com excesso de peso e obesidade são particularmente vulneráveis à publicidade e, por isso, deveriam receber educação específica para melhorarem as suas competências relativamente à forma como a interpretam, sugere um estudo europeu.

A literacia para a publicidade é a capacidade de a reconhecer, compreender e avaliar, o que constitui uma das competências mais importantes para o desenvolvimento das crianças enquanto consumidores informados, refere o “Alert”. Muitos estudos têm sido realizados nas últimas décadas com o objetivo de desenvolver esta competência.

O número de crianças obesas tem vindo a aumentar e a maioria consome publicidade, especialmente através da televisão. Cerca de 40 por cento da publicidade incide sobre produtos alimentares, com altos teores de sal, açúcar ou gordura, que são muitas vezes pouco ou nada saudáveis.

Investigadores da Universidade de Alpen-Adria, na Áustria, conduziram o estudo com base em inquéritos realizados a crianças com idades ente os sete e os 11 anos. Foram utilizados como critérios de determinação dos níveis de literacia para a publicidade a influência do índice de massa corporal, a própria perceção do corpo e o impacto dos hábitos alimentares das crianças. O modelo de pesquisa contemplava dez hipóteses. Os resultados dos inquéritos confirmaram oito dessas dez hipóteses.

Face aos resultados, os autores afirmam que “uma das perceções que adquirimos é que a autoestima das crianças, que é determinada, entre outras coisas, pelo índice de massa corporal e pela perceção do próprio corpo, afeta igualmente a literacia para a publicidade”. Constatou-se também que “de forma a prevenir o desfasamento cognitivo, as crianças que têm preferência por alimentos menos saudáveis correm o risco de desenvolver uma atitude menos cética em relação aos alimentos que vêm publicitados”.

Os autores do estudo concluem que estas crianças deveriam receber formação especial para a publicidade de forma a aumentarem as suas competências mediáticas relativamente ao consumo da mesma. Os pais não devem igualmente descurar o seu papel como fornecedores de modelos de boas práticas alimentares, como também como de educadores para a publicidade.

Referências bibliográficas:
  • Pais & Filhos. (2013). Crianças obesas mais suscetíveis à publicidade. Retirado outubro 27, 2013, de http://www.paisefilhos.pt/index.php/actualidade/noticias/6799-criancas-obesas-mais-suscetiveis-a-publicidade.
Zusana Matos Diaz (Educadora de Infância de Intervenção Precoce)»»»» 28/10/2013